Aparecida de Goiânia é uma cidade que pulsa trabalho e investimentos. Com forte vocação industrial e comercial, o município reúne condições para se tornar uma referência regional em empreendedorismo. Mas há uma contradição que salta aos olhos: os incentivos são quase invisíveis.
A cidade cresceu, atraiu empresas, fortaleceu polos industriais e viu surgir milhares de micro e pequenos negócios nos bairros. Todos movimentam a economia de Aparecida. No entanto, quando o assunto é política pública para incentivo ao empreendedor, o cenário ainda é tímido.
Fala-se muito em desenvolvimento econômico, mas pouco se percebe de ações permanentes e acessíveis na prática. Não há programas municipais que resultem na desburocratização para abertura e regularização de empresas e tampouco incentivo contínuo para quem quer sair da informalidade ou aprimorar sua atividade com inovações.
É claro que existem iniciativas pontuais. Eventos, feiras e cursos acontecem, mas o empreendedorismo não pode ser tratado como ação de calendário — precisa ser política pública permanente com planejamento de médio e longo prazo.
Outro ponto importante é a integração entre poder público e setor econômico. Uma cidade com a força industrial que Aparecida possui pode avançar muito mais se houver um ecossistema articulado entre prefeitura, universidades, associações comerciais, Sistema S e startups.
Incentivar o empreendedor não é apenas oferecer atividades de calendário, é criar um ambiente potencializador para que o pequeno cresça, tenha sustentação e gere emprego e renda. É investir em autonomia econômica e criar novas oportunidades para jovens e mulheres. É transformar talento em negócio sustentável.
Aparecida tem tudo para ser um celeiro de inovação popular. Tem trabalhadores e mercado consumidor. O que falta é uma política pública que enxergue o empreendedor como parceiro do desenvolvimento e não apenas como contribuinte.
Política pública que quase ninguém vê, na prática diária, é política que quase não cumpre seu papel. O poder público precisa transformar potencial em prioridade e empreendedorismo em estratégias de governabilidade. A cidade já faz sua parte, mas falta o poder público.
Maione Padeiro é presidente da Associação Comercial Industrial e Empresarial da Região Leste de Aparecida de Goiânia




