Movimento surpreende cenário político, esvazia pré-candidatura ao Senado pelo MDB e reposiciona o chamado “irismo” no tabuleiro eleitoral goiano
Em um movimento político que agitou os bastidores da pré-campanha em Goiás, a advogada Ana Paula Rezende, filha do ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende, oficializou nesta sexta-feira (20/2) sua filiação ao Partido Liberal (PL). A assinatura da ficha foi abonada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e já projeta Ana Paula como possível candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo senador Wilder Morais na disputa pelo Governo de Goiás.
A decisão encerra, de forma silenciosa, o projeto que vinha sendo construído dentro do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para que Ana Paula fosse candidata ao Senado. A saída representa uma baixa significativa para o partido e pode deslocar o chamado “irismo” — grupo político historicamente ligado a Iris Rezende — para um novo palanque nas eleições estaduais.
Nos bastidores, a avaliação é de que o PL ganha densidade eleitoral ao agregar um sobrenome de forte tradição política em Goiás. Para Wilder Morais, a eventual composição com Ana Paula significa ampliar o alcance da chapa e reforçar o projeto de candidatura própria do partido ao Palácio das Esmeraldas, especialmente junto ao eleitorado que mantém vínculo afetivo e histórico com o legado de Iris.
Já para Ana Paula, a filiação representa um passo decisivo de inserção direta na política eleitoral. Embora seu nome circulasse há anos como herdeira natural do capital político do pai, ela vinha adotando postura discreta nas disputas majoritárias. Agora, ao integrar uma pré-campanha já em fase de articulação, assume protagonismo e acelera um movimento que aliados afirmam estar sendo amadurecido há bastante tempo.
A mudança também tem potencial para provocar rearranjos nas alianças estaduais. A aproximação do grupo ligado a Iris com o PL pode alterar estratégias de outros blocos políticos, especialmente do grupo liderado pelo governador Ronaldo Caiado.
Nos corredores da política goiana, a filiação é vista como a primeira grande “bomba” da pré-campanha. A partir de agora, as atenções se voltam para as reações do MDB e dos demais partidos, que terão de recalibrar seus planos diante do novo cenário que se desenha.



