Moradora do Residencial Bandeiras afirma ter enfrentado constrangimento no CRAS, bloqueio de benefício social e impedimento de acompanhar filho autista em audiência judicial
Uma mãe do Residencial Bandeiras, em Guapó, decidiu tornar pública uma situação que, segundo ela, ultrapassa a burocracia e atinge diretamente a dignidade de sua família. Flora Albuquerque afirma ter enfrentado dificuldades no atendimento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), além de episódios que considera ofensivos durante a tentativa de inscrever o filho, um jovem de 19 anos com diagnóstico de autismo, no programa habitacional Minha Casa Minha Vida.
De acordo com Flora, a busca pelo cadastro ocorreu após orientação médica e de agente de saúde. No entanto, durante o atendimento no setor de habitação, o jovem teria sido informado de que não se enquadrava nos critérios por residir no município há menos de dois anos. O que mais a marcou, segundo relata, foi uma suposta fala atribuída a um servidor público: “por ele ser autista, a família pensava que podia tudo”. A mãe registrou boletim de ocorrência junto à Polícia Civil de Goiás e afirma que a declaração trouxe constrangimento e revolta.
Benefício bloqueado
Flora também relata que, após o registro da ocorrência, foi chamada ao gabinete do prefeito Frank, onde teria recebido a proposta para realizar novamente a inscrição habitacional. Ela afirma que recusou a oferta por entender que sua reivindicação não era um favor, mas o direito de participar do programa.
Posteriormente, segundo seu relato, o benefício do Bolsa Família foi bloqueado. A moradora afirma que vive apenas com o filho, que recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), e que foi informada de que a renda familiar teria ultrapassado o limite permitido. O pagamento chegou a ser restabelecido por um mês, mas voltou a ser suspenso após o andamento do caso na Justiça, conforme relata.
Audiência judicial
Outro ponto que gera questionamentos envolve uma audiência judicial relacionada ao caso. Flora afirma ter sido informada de que não poderia acompanhar o filho na sala durante a audiência, por ele já ser maior de idade. A mãe contesta a orientação, alegando que o jovem possui limitações cognitivas significativas comprovadas por laudos médicos, faz uso contínuo de medicação e depende dela para atividades externas.
“Meu filho não sai de casa sozinho, não fala com estranhos. Eu sou responsável por ele”, declarou. Determinada, Flora afirma que não teme recorrer às instâncias judiciais e que seguirá buscando o que considera ser seus direitos.
Prefeitura não se manifesta
A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Guapó para esclarecimentos sobre as denúncias, mas até o fechamento desta matéria não houve posicionamento oficial. O espaço segue aberto para manifestação.
O caso repercute entre moradores do Residencial Bandeiras. Segundo Flora, outras famílias também enfrentariam dificuldades semelhantes, mas evitam se pronunciar por receio. Em meio à dor e à burocracia, a mãe diz que sua luta é por respeito, inclusão e garantia de direitos — não apenas para o filho, mas para todas as famílias que dependem do atendimento público.
Redação: Marcelo Pereira



