sábado, março 7, 2026
spot_img
HomeJustiçaExoneração após escândalo: juiz deixa TJSP sob investigação e salário milionário gera...

Exoneração após escândalo: juiz deixa TJSP sob investigação e salário milionário gera revolta

Marcello Perino pede saída do cargo após operação de busca e apreensão; investigação aponta suposto esquema familiar em processos de recuperação judicial e levanta debate sobre teto do funcionalismo

O juiz Marcello do Amaral Perino, de 56 anos, deixou o cargo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) após se tornar alvo de busca e apreensão no fim de 2025. A exoneração, assinada pelo presidente da Corte, desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, em 19 de dezembro, passou a valer a partir de 7 de janeiro deste ano — encerrando oficialmente sua trajetória no Judiciário paulista em meio a um turbilhão de suspeitas.

Perino e o irmão, o advogado Fernando Perino, são investigados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposto envolvimento em um esquema que teria beneficiado parentes em processos milionários de recuperação judicial. Documentos obtidos pela imprensa apontam para a atuação do que ficou conhecido como “família das falências” dentro da estrutura judicial paulista — expressão que reforça a gravidade das suspeitas e o impacto institucional do caso.

A denúncia veio a público em 2023. À época, ambos negaram qualquer irregularidade. Procurados novamente nesta semana, não se manifestaram. O espaço permanece aberto para posicionamento da defesa.

Mesmo após deixar o cargo, um dado chamou atenção e acirrou o debate público: em janeiro, já fora da magistratura, Perino recebeu R$ 88,5 mil líquidos (R$ 128,2 mil brutos). O valor é quase o dobro do teto do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46,3 mil — equivalente ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A quantia reacende discussões sobre penduricalhos, verbas indenizatórias e os limites da remuneração no serviço público.

O inquérito tramita no gabinete do procurador-geral de Justiça, Paulo Sergio de Oliveira e Costa, devido ao foro privilegiado que Perino possuía enquanto magistrado. Com a exoneração, o caso deve ser remetido à primeira instância, alterando o rumo processual da investigação.

Em meio a questionamentos sobre ética, transparência e responsabilidade institucional, o caso expõe uma ferida sensível: a confiança da sociedade no sistema de Justiça. Mais do que números e cargos, a investigação coloca em xeque princípios fundamentais que sustentam o Estado democrático de direito.

MAIS NOTICIAS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

spot_img
spot_img

Veja também