Comitiva com lideranças do interior amplia pressão interna e reforça movimento por palanque próprio em 2026; visita a Bolsonaro no sábado pode selar rumos do partido no Estado
O senador Wilder Morais decidiu elevar o tom e levar pessoalmente à cúpula nacional do Partido Liberal (PL) a discussão sobre os rumos da sigla em Goiás. Na noite desta terça-feira (10/2), ele chegou a Brasília acompanhado de uma robusta comitiva formada por prefeitos, deputados estaduais, vereadores e lideranças políticas do interior goiano. O objetivo foi direto e sem rodeios: defender, diante do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que o PL lance candidato próprio ao governo do Estado em 2026.
A movimentação não foi simbólica. Ao reunir nomes de diferentes regiões de Goiás, Wilder buscou demonstrar força política e capilaridade no interior. Entre os prefeitos presentes estavam Geneilton Assis (Jataí), Paulo Trabalho (Posse), Dr. Osvaldo (Palmeiras), Dr. Garibaldo Neto (Buriti Alegre), Dr. Antônio Marcos (Avelinópolis), Disterro Santos (Britânia), Deni Santana (Damianópolis), Chico Vaca (Corumbá), Osélia (Turvelândia), Maycllyn Carreiro (Morrinhos), Éder Lacerda (Mambaí), Douglas (Campo Alegre) e Marly do Valdineis (Portelândia). Também integraram o grupo o vice-prefeito Wellington Gordinho e vereadores de cidades como Jataí e Campo Alegre.
Do lado do Legislativo estadual, acompanharam a agenda os deputados Eduardo Prado e Major Araújo, além do ex-deputado Lissauer Vieira e do pré-candidato a deputado federal Maycon Tombini. A presença conjunta de prefeitos e parlamentares reforça a estratégia de demonstrar que a defesa de candidatura própria não é uma posição isolada da direção estadual, mas um desejo compartilhado por lideranças com mandato e influência regional.
Nos bastidores, o gesto é interpretado como um movimento calculado de pressão interna. Wilder busca consolidar o discurso de que o PL tem musculatura suficiente para protagonizar a disputa pelo Palácio das Esmeraldas, sem depender de alianças que diluam a identidade partidária no Estado. Ao sentar-se à mesa com Valdemar Costa Neto munido de apoio político visível, o senador amplia o peso de sua argumentação e sinaliza disposição para enfrentar as articulações nacionais.
A agenda ganha ainda mais relevância diante do encontro previsto para o próximo sábado (14/2), quando Wilder deverá visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A conversa é considerada estratégica e pode influenciar decisivamente os rumos do PL em Goiás, sobretudo no que diz respeito à construção de um palanque competitivo para 2026.
Com o tabuleiro eleitoral já em movimento, a ofensiva em Brasília indica que o debate interno no PL goiano está longe de ser protocolar. Trata-se de uma disputa por protagonismo, identidade e espaço político — e Wilder, ao que tudo indica, decidiu jogar com todas as peças sobre a mesa.



