Primeira pesquisa sem o governador paulista testa força do trio do PSD, mede impacto da isenção do IR e avalia a aprovação do governo Lula em um cenário cada vez mais fragmentado
A corrida ao Palácio do Planalto entra em uma nova fase. A partir desta quinta-feira, a Quaest inicia mais uma rodada de entrevistas presenciais para medir as intenções de voto à Presidência da República — e, desta vez, com uma mudança simbólica e estratégica: é a primeira pesquisa sem o nome de Tarcísio de Freitas na lista de possíveis candidatos.
Até domingo, 2.004 brasileiros serão ouvidos em todo o país. O levantamento, encomendado pelo banco Genial ao custo de R$ 466 mil, terá os resultados divulgados na próxima quarta-feira (11) e promete oferecer um retrato atualizado do humor do eleitorado às vésperas de mais um ciclo eleitoral decisivo.
Sem Tarcísio no cenário, o foco se volta para uma disputa interna que pode redefinir a oposição a Lula: os três presidenciáveis do PSD agora aparecem separadamente nas simulações. Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Eduardo Leite serão testados individualmente contra o presidente e demais concorrentes. A estratégia permitirá identificar, com mais clareza, qual deles demonstra maior competitividade — seja para ultrapassar Lula em um eventual segundo turno, seja para superar nomes como Flávio Bolsonaro.
A pesquisa também será a primeira a medir os efeitos iniciais da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, medida em vigor desde janeiro e que pode beneficiar cerca de 16 milhões de brasileiros. Os entrevistadores perguntarão diretamente aos eleitores se a mudança impactou positivamente suas famílias neste mês. A resposta poderá indicar se a política econômica do governo já começa a surtir efeito concreto na percepção popular.
Além das intenções de voto, o levantamento avaliará o nível de aprovação do governo Lula. Em janeiro, a Genial/Quaest apontou um país dividido: 49% desaprovavam a gestão, enquanto 47% aprovavam. Naquele momento, Lula liderava todos os cenários testados. Quando apareciam juntos, ele registrava 36% das intenções de voto, contra 32% de Flávio Bolsonaro e 9% de Tarcísio. Mesmo nos cenários separados, mantinha a dianteira, com 35%.
O novo questionário seguirá um roteiro detalhado. Primeiro, perguntará se o eleitor já tem candidato definido — e, em caso afirmativo, quem é. Depois, apresentará uma lista em ordem alfabética para medir conhecimento e rejeição de cada nome. Estão no levantamento: Aldo Rebelo, Flávio Bolsonaro, Lula, Ratinho Junior, Renan Santos, Eduardo Leite, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
A partir dessas respostas, diferentes cenários serão simulados, com mudanças nas posições dos candidatos e inclusão das opções de abstenção, voto branco ou nulo e indecisos. A pesquisa também testará projeções de segundo turno, etapa que tradicionalmente revela o verdadeiro potencial de alianças e rejeições.
Mais do que números, o levantamento pode indicar tendências. A ausência de Tarcísio abre espaço para novos protagonistas e pode consolidar — ou enfraquecer — alternativas dentro do campo da centro-direita. Ao mesmo tempo, a avaliação do impacto econômico das medidas do governo será um termômetro importante sobre o peso da pauta social na decisão do eleitor.
Com um cenário ainda em formação e eleitores atentos ao bolso e à estabilidade política, a nova Quaest chega como um sinal de que o jogo começou a ganhar contornos mais definidos — e que cada movimento, agora, pode fazer a diferença.



