sábado, março 7, 2026
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Moradores de Caldas Novas  pedem socorro

Entre crateras e o fantasma da dengue, moradores do Setor Águas Quentes vivem o pesadelo do abandono em uma cidade que brilha para os turistas, mas adoece seus filhos

O cartão-postal de águas quentes e resorts luxuosos esconde uma realidade paralela e cruel para quem vive longe dos holofotes do turismo. Em bairros como o Setor Águas Quentes, a sensação não é de morar em uma cidade, mas de sobreviver a um cenário de guerra onde o inimigo não usa armas, mas sim o descaso administrativo.

As ruas, que deveriam ser vias de acesso, transformaram-se em trilhas de obstáculos. Buracos profundos ditam o ritmo de quem tenta transitar, danificando veículos e isolando famílias. No entanto, o asfalto destruído é apenas a ponta do iceberg de uma gestão que parece ter virado as costas para as necessidades básicas da população.

A Rua 73 e o Preço da Negligência

O epicentro do abandono hoje atende pelo nome de Rua 73. Ali, o mato alto não apenas toma conta das calçadas, mas serve de criadouro para o perigo invisível. Enquanto a prefeitura se perde em burocracias ou silêncios convenientes, os moradores contam os dias de medo.

O relato de um morador local, cuja voz carrega o peso da revolta de toda uma vizinhança, expõe o lado mais sombrio dessa omissão:

“Minha esposa já pegou dengue hemorrágica e quase morreu. Ficou cinco dias na UTI. E agora a cidade está infestada de dengue novamente”, desabafa.



O medo de reviver o trauma não é infundado. As imagens do bairro mostram uma selva urbana que avança sobre as casas, um ambiente perfeito para a proliferação do Aedes aegypti. Para quem já viu a morte de perto dentro de uma UTI, o mato alto não é apenas falta de capina; é uma ameaça real à vida.

Uma Gestão de Olhos Vendados

Até quando a atual gestão tratará a infraestrutura e a saúde pública como temas secundários? A indignação da comunidade de Caldas Novas não é um pedido de favor, é uma exigência por direitos básicos. O asfalto que falta e o mato que sobra são as assinaturas de uma administração que parece ter esquecido que uma cidade é feita de pessoas, não apenas de hotéis.

Os moradores do Setor Águas Quentes não querem mais promessas de “cronogramas futuros”. Eles pedem socorro agora, antes que o próximo caso de dengue hemorrágica não tenha o mesmo desfecho de sobrevivência.

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