Gestor usa decisão de primeira instância contra um jornalista para desviar o foco de suspeitas graves de corrupção envolvendo contratos milionários e a Dodge RAM
Diante da avalanche de novas denúncias de corrupção em São Miguel do Araguaia, o prefeito Jerônymo Siqueira recorreu às redes sociais para tentar mudar o foco do debate público. Em um pôster divulgado recentemente, ele afirma ter “ganhado processos contra jornalistas”, numa tentativa clara de descredibilizar as denúncias que hoje dominam as conversas da cidade.
A narrativa, porém, não corresponde aos fatos. Não se trata de “processos contra jornalistas”, no plural, mas de um único processo, movido contra o único jornalista que teve coragem de expor as denúncias ao povo. Além disso, a decisão citada pelo prefeito é de primeira instância, ainda passível de recurso e longe de representar uma vitória definitiva. O próprio valor citado pelo gestor não pode ser tratado como dinheiro garantido, já que o processo ainda não terminou.
A estratégia de comunicação levanta suspeitas: por que, em vez de responder às acusações atuais — como os pagamentos a empresas mesmo após parecer técnico contrário e as denúncias envolvendo a Dodge RAM — o prefeito prefere reavivar um processo antigo para confundir a opinião pública?
A população quer respostas sobre fatos concretos:
• Por que ignorou ofícios do ex-secretário e da engenheira que pediam a suspensão e o não pagamento de contratos?
• Por que empresários com contratos na prefeitura aparecem ligados à compra de um veículo de luxo em nome do prefeito?
Outro ponto que revolta moradores é o uso de advogado pago com dinheiro público para defender interesses políticos e pessoais do gestor, enquanto a cidade segue com ruas esburacadas e serviços precários. O cidadão comum se pergunta: quanto custa esse contrato de advocacia para os cofres da prefeitura?
Em vez de enfrentar as denúncias com transparência, o prefeito escolhe a tática do desvio de foco. Mas São Miguel do Araguaia já entendeu: post em rede social não apaga documentos, não desmente ofícios técnicos e não responde às suspeitas de corrupção.
A cidade não quer propaganda.
Quer explicações.



