Operação da Polícia Federal investiga pagamentos a jovens inclusive menores para inflar atos políticos no Ceará; material ilegal encontrado leva à prisão em flagrante.
A manhã desta quinta-feira (8) começou com o avanço firme da Polícia Federal sobre um esquema que pode ter compro metido a lisura do processo eleitoral em um município da região do Cariri, no Ceará. Batizada de Operação Propositum Sine Filtrum, a ação investiga indícios de corrupção eleitoral e o uso indevido de recursos de campanha para garantir presença artificial em eventos políticos.
Segundo as apurações, pessoas entre elas jovens e até menores de idade teriam recebido pagamentos para comparecer a atos de campanha durante o período eleitoral. As investigações apontam transferências bancárias e repasses via Pix como forma de incentivo financeiro, prática que, além de ilegal, fere diretamente o princípio democrático da livre participação política.
A Polícia Federal identificou que esses pagamentos não teriam sido episódios isolados. Há indícios de repasses reiterados e mensagens que sugerem orientação direta para a oferta de benefícios financeiros, com o objetivo de inflar públicos e criar uma falsa sensação de apoio popular.
Como parte da operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em residências, veículos e também realizadas buscas pessoais. As ordens judiciais foram expedidas pela **70ª Zona Eleitoral de Brejo Santo**, que autorizou a coleta de documentos, registros financeiros e prestações de contas de campanha, agora sob análise técnica minuciosa.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes se depararam com uma situação ainda mais grave. Dispositivos eletrônicos apreendidos continham imagens relacionadas a abuso sexual de crianças e adolescentes. Diante do flagrante, um dos investigados foi imediatamente preso pelo crime de posse e armazenamento de conteúdo ilícito. Os equipamentos passarão por perícia para aprofundar as investigações.
Em nota, a Polícia Federal informou que os envolvidos poderão responder, em tese, pelos crimes previstos nos artigos **299 e 350 do Código Eleitoral**, que tratam de corrupção eleitoral e falsidade ideológica com fins eleitorais.
A operação reforça o papel das instituições na defesa da democracia e no combate a práticas que tentam manipular a vontade popular. Em um cenário onde o voto deve ser livre e consciente, ações como essa acendem um alerta sobre a importância da fiscalização e da responsabilidade no processo político brasileiro.




