Goiânia (GO) – Um relato alarmante sobre os riscos de procedimentos estéticos voltou a chamar atenção esta semana. Jéssika Paula dos Santos, de 30 anos, denunciou publicamente os efeitos graves que sofreu após um procedimento de aplicação de substâncias permanentes no glúteo, realizado em outubro de 2022 pelo médico Dr. Rogério Cardoso, no Instituto Longevidade, em Goiânia.
Segundo Jéssika, o que deveria ser um procedimento estético resultou em complicações sistêmicas severas, incluindo dores crônicas, inflamação generalizada, depressão, cicatrizes profundas e sequelas permanentes. Parte do material aplicado pelo médico — que se espalhou pelo corpo, incluindo glúteos, pernas e abdômen — precisou ser removido em cirurgias de urgência, totalizando mais de 1,5 kg de substância.
“Não estou aqui para falar de vaidade. Estou aqui para falar de sobrevivência”, afirmou Jéssika em vídeo publicado nas redes sociais, detalhando seu sofrimento e alertando sobre os riscos do PMMA, conhecido popularmente como “chip da beleza”.
Ela relatou peregrinação por hospitais em Goiânia, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, enfrentando gastos de aproximadamente R$ 300 mil em consultas, exames, cirurgias e medicamentos. Além das complicações físicas, Jéssika convive com hipotensão grave, limitações para atividades básicas do dia a dia e afastamento do trabalho por tempo indeterminado.
De acordo com a paciente, o médico tinha conhecimento de seu sofrimento desde os primeiros meses de sintomas, mas teria minimizado as queixas, negado relação com o produto aplicado e retardado respostas em momentos críticos.
Em vídeo, Jéssika compara o contraste entre a imagem de marketing do profissional — que aparece fantasiado de “Superman” nas redes sociais — e as consequências devastadoras no corpo de uma paciente.
“Eu não quero vingança. Quero verdade, responsabilidade e consciência. Procedimento estético não é brincadeira, PMMA não é gelzinho inofensivo e ‘chip da beleza’ não é moda. São decisões que podem custar saúde, dignidade e a própria vida”, afirmou.
Jéssika registrou ocorrência policial, busca perícia oficial do material removido e anunciou que tomará todas as medidas penais, cíveis e administrativas cabíveis. Ela espera que seu relato sirva de alerta para outras pessoas: informe-se exaustivamente, questione procedimentos, peça tudo por escrito e desconfie de promessas fáceis.
O caso reacende o debate sobre responsabilidade médica e fiscalização de procedimentos estéticos, reforçando a necessidade de informação e cuidado antes de qualquer intervenção invasiva.
Redação: Goiás da Gente
Jornalista: Marcelo Pereira



