sábado, março 7, 2026
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MP recomenda retirada imediata de grama sintética em Goiânia

O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) expediu uma recomendação ao prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, para que seja removida imediatamente toda a grama sintética instalada em canteiros centrais, praças, parques e demais áreas públicas da cidade. A promotora Alice de Almeida Freire, responsável pelo caso, também solicitou que a prefeitura apresente a relação completa das áreas afetadas, um plano detalhado de remoção e de recuperação ambiental, além de suspender qualquer nova instalação do material.

Nos locais onde há grama sintética, a promotora pede a substituição por grama natural e espécies nativas compatíveis com o ecossistema do Cerrado, garantindo a restauração das funções ecológicas e drenantes do solo. Em agosto de 2025, o prefeito chegou a sinalizar interesse em testar a grama sintética no Parque Vaca Brava e nos canteiros centrais da região da Rua 44.

“Grama sintética não esquenta mais”, afirmou Mabel, garantindo ter medido pessoalmente a temperatura do material. “Fui medir a grama sintética e ela estava 2 graus mais baixa do que a grama natural que está seca aqui”, disse durante evento na Avenida Castelo Branco, um dos locais que receberam a novidade. Em setembro, em entrevista ao Goiás da Gente, o prefeito reconheceu que a iniciativa foi uma “inovação” que não funcionou como esperado.

A promotora Alice Freire, da 7ª Promotoria de Justiça de Goiânia, conduz um procedimento para apurar a legalidade e regularidade da substituição da grama natural pela sintética, analisando também os impactos ambientais, urbanísticos, estéticos e sociais.

De acordo com laudo da Coordenação de Apoio Técnico-Pericial (Catep) do MPGO, já se constatou que a grama sintética não oferece qualquer benefício ambiental, ecológico ou financeiro. Pelo contrário, apresenta impactos negativos significativos. O estudo aponta que a grama natural desempenha funções essenciais, como regulação térmica, absorção de CO₂, liberação de oxigênio, retenção de umidade, infiltração de águas pluviais e suporte à biodiversidade do solo. Já a grama sintética é impermeável, inorgânica e termicamente isolante, provocando aquecimento excessivo e impermeabilização total da superfície.

Redação: Goiás da Gente
Jornalista: João Pedro Lira

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