sábado, março 7, 2026
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TJGO condena dupla por posts misóginos contra engenheiras

A Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) condenou dois integrantes do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Goiás (Ibape-GO) pela publicação de conteúdos misóginos e ofensivos nas redes sociais. A decisão, proferida em 19 de janeiro, envolve Gabriel Brito Velasco — vice-presidente eleito do Instituto — e Júnio Barbosa, que à época era vice-presidente e responsável pela comunicação.

Segundo a denúncia apresentada pelas integrantes da chapa “Renovação”, adversária no pleito para o biênio 2024/2025, após a eleição realizada em 24 de novembro de 2023, ambos os homens divulgaram publicações comemorativas acompanhadas de músicas com teor sexualmente depreciativo e misógino, direcionadas às mulheres da chapa rival. Júnio Barbosa ainda compartilhou o conteúdo no perfil oficial do Ibape-GO.

O relator do caso, juiz André Reis Lacerda, destacou que as músicas possuíam “nítido teor de desprezo e inferiorização da mulher”, apontando que a jurisprudência reconhece a motivação discriminatória de gênero como um agravante ao dano moral sofrido pelas vítimas.

Para o magistrado, as postagens ultrapassaram o limite do debate eleitoral interno e atingiram diretamente a dignidade das mulheres envolvidas. Ele reforçou que não se tratava de mera sátira ou manifestação política, mas de “ofensas graves, com vocábulos chulos e degradantes”, cuja repercussão ganhou dimensão nacional. Inclusive, um dos responsáveis foi afastado de suas funções no Instituto.

Lacerda também lembrou que a ampla disseminação garantida pelas redes sociais potencializa o dano: “Mesmo após a exclusão, o conteúdo se perpetua e pode gerar prejuízos emocionais, profissionais e sociais às vítimas”, afirmou.

  • Gabriel Brito Velasco: 3 meses de detenção + multa de R$ 3 mil

  • Júnio Barbosa: 3 meses e 15 dias de detenção + multa de R$ 4 mil

As penas serão cumpridas em regime aberto. A decisão foi unânime.

A engenheira Ludmilla Couto, uma das mulheres agredidas pelas publicações, ressaltou a importância do reconhecimento judicial:
“Esse reconhecimento do que sofremos, enquanto profissionais desqualificadas exclusivamente pelo nosso gênero, é muito relevante. É importante para nós, mas também para tantas outras mulheres que, ao tentar ocupar espaços profissionais, ainda enfrentam discriminação.”

O advogado Gabriel de Castro, que atuou na defesa das profissionais, classificou a decisão como um marco na proteção dos direitos das mulheres no ambiente digital.
“A internet não é terra sem lei. A decisão mostra que adultos precisam se comportar de forma digna nas redes sociais, sem causar danos a terceiros”, afirmou.

Já o defensor Valério Luiz destacou que o julgamento reforça os parâmetros legais para responsabilização em crimes contra a honra.

Redação: Goiás da Gente
Jornalista: João Pedro Lira

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