Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiram barrar nesta quinta-feira (16) a convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão do presidente, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Frei Chico é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade sob suspeita na apuração.
O requerimento para a convocação foi rejeitado por 19 votos contra 11, numa votação que refletiu a nova configuração política da CPI, na qual o governo retomou a maioria após perder a presidência do colegiado nas semanas anteriores. Além disso, os parlamentares decidiram retirar de pauta, sem deliberação, os pedidos de quebra de sigilo telefônico, telemático, bancário e fiscal do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), também aliado do governo.
A decisão ocorreu após acordo entre o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), representante do governo na comissão, e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), com o apoio do presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
A CPI do INSS apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com foco em entidades como o Sindnapi. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que o sindicato não informou ao INSS a presença de Frei Chico na diretoria, o que teria dificultado a fiscalização. A Polícia Federal também realizou apreensões de veículos de luxo e outros bens em operações contra o sindicato, levantando suspeitas de irregularidades financeiras.
Enquanto o governo busca conter a ampliação das investigações para proteger aliados, a oposição continua pressionando por uma apuração mais profunda, incluindo a convocação de Frei Chico e a quebra do sigilo de Carlos Lupi.
O caso segue em aberto, com repercussão política nacional e impacto direto na credibilidade da gestão do INSS e das entidades representativas dos aposentados.
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