sábado, março 7, 2026
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Incêndio destrói creche abandonada no Madre Germana II; comunidade cobra ação

Um incêndio de grandes proporções destruiu, nesta semana, a estrutura da obra inacabada de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) no Setor Madre Germana II, em Goiânia. A construção, que está abandonada desde 2020, foi completamente consumida pelas chamas, gerando revolta e preocupação entre os moradores da região, que há anos aguardam a conclusão da unidade escolar.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo teve início em uma área de mato seco nas proximidades e rapidamente se espalhou até atingir o prédio. Por sorte, não houve feridos. No entanto, o prejuízo à comunidade é incalculável.

“Era para ser uma creche que ajudaria muitas mães aqui do bairro. Mas virou um ponto de lixo, de usuários de droga, e agora está totalmente destruída. É revoltante ver tanto dinheiro público jogado fora”, desabafa a dona de casa Maria das Dores, moradora da região há mais de 15 anos.

A construção do CMEI foi paralisada há mais de cinco anos e, desde então, não recebeu nenhuma intervenção significativa da Prefeitura. Sem muros de proteção ou segurança no local, a estrutura se deteriorou ao longo do tempo, sendo alvo constante de vandalismo e uso irregular por terceiros.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), o local já havia sofrido outro incêndio em junho deste ano, mas não houve medidas preventivas desde então. Em nota, a SME informou que um processo administrativo foi aberto para apurar responsabilidades, e que um laudo técnico concluiu que a estrutura foi totalmente comprometida.

A perda da creche abandonada agrava ainda mais o déficit de vagas na educação infantil na capital. “A gente escuta há anos que a Prefeitura vai retomar a obra, mas nada acontece. Agora que pegou fogo, dizem que vão estudar uma nova construção. É sempre assim: só prometem depois que o pior já aconteceu”, critica o comerciante Paulo Henrique, pai de duas crianças pequenas.

A SME afirmou que está avaliando a possibilidade de iniciar um novo projeto para atender a região, mas não deu prazos nem detalhes sobre orçamento ou local.

Para a urbanista e pesquisadora em políticas públicas Carla Moraes, o caso escancara a fragilidade do planejamento urbano e da gestão educacional. “Quando uma obra pública fica parada por tanto tempo, o que vemos não é apenas desperdício de dinheiro, mas a negação de direitos básicos, como o acesso à educação. A situação no Madre Germana II é, infelizmente, um retrato de outras tantas regiões esquecidas pelo poder público”, analisa.

Redação

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