O Ministério Público de Goiás (MPGO) ingressou com uma Ação Civil Pública contra a empresa WePink – Savi Cosméticos Ltda, da qual a influenciadora Virginia Fonseca é sócia. A promotoria acusa a marca de adotar práticas abusivas contra consumidores, incluindo atrasos sistemáticos nas entregas, falta de transparência e publicidade enganosa em campanhas realizadas pela internet.
De acordo com a ação, a WePink teria anunciado produtos com prazo de entrega de até 14 dias úteis, mas descumpriu os prazos em grande escala, deixando diversos clientes sem receber o que compraram — mesmo após meses de espera. O MP afirma que a empresa “não possuía estrutura logística compatível com o volume de vendas”, o que demonstra má-fé e desrespeito ao consumidor.
O caso ganhou força após o aumento expressivo de reclamações registradas em órgãos de defesa do consumidor.
Segundo o Procon Goiás, foram recebidas mais de 340 denúncias formais nos últimos meses. Já no site Reclame Aqui, a marca acumulou cerca de 90 mil reclamações apenas em 2024, relacionadas principalmente a atrasos, falta de entrega, produtos com defeito e dificuldade para reembolso.
O MP também destacou que muitos consumidores relataram dificuldades para entrar em contato com a empresa, já que o atendimento é feito majoritariamente por robôs de mensagem que não resolvem as demandas. Além disso, a promotoria cita que críticas de clientes eram excluídas das redes sociais, o que configura tentativa de ocultar informações negativas do público.
A WePink se tornou uma das marcas mais conhecidas do país no segmento de cosméticos ao apostar em vendas em massa durante lives promocionais, comandadas por influenciadores e artistas.
Entretanto, segundo o Ministério Público, a estratégia comercial “ultrapassou os limites éticos do marketing digital”, gerando uma onda de promessas que a empresa não conseguiu cumprir.
O órgão pede à Justiça que os sócios da empresa sejam responsabilizados solidariamente — o que inclui a influenciadora Virginia Fonseca e outros investidores. Caso a ação seja julgada procedente, os réus poderão ser condenados a pagar indenização mínima de R$ 5 milhões por danos morais coletivos, valor que seria revertido ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor.
Na ação, o MPGO solicita ainda que a Justiça determine que a empresa:
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Entregue imediatamente todos os produtos comprados e não entregues;
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Realize reembolso ou substituição em caso de produtos com defeito;
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Suspenda as lives de venda até regularizar a logística e atendimento;
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Implante um canal de atendimento humano e eficaz;
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Pague multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento das determinações judiciais.
A ação foi baseada em dispositivos do Código de Defesa do Consumidor (CDC) que tratam da publicidade enganosa, responsabilidade objetiva do fornecedor, direito de arrependimento e práticas abusivas.
O MP ressalta que, ao associar o nome de uma figura pública como Virginia Fonseca às vendas, a empresa reforçou o vínculo de confiança com o consumidor — e por isso, deve responder de forma ampliada pelos prejuízos causados.
Até o momento da publicação desta matéria, a WePink e a influenciadora Virginia Fonseca não se manifestaram publicamente sobre a ação movida pelo Ministério Público de Goiás.
O espaço segue aberto para posicionamento da empresa.
Redação



