O anúncio do Plano Brasil Soberano, feito nesta terça-feira (13) pelo governo federal, gerou reações cautelosas entre lideranças do setor produtivo de Goiás. A medida prevê até R$ 30 bilhões em crédito para exportadores, reformulação do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), ampliação do Reintegra, prorrogação de prazos tributários e estímulo à abertura de novos mercados — ações que visam minimizar os impactos da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Apesar da importância da iniciativa, representantes da indústria, do comércio e dos serviços no Estado avaliam que a proposta não resolve, sozinha, os problemas estruturais que afetam a competitividade das empresas.
Crédito não é solução mágica
O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Rubens Filetti, ressalta que a liberação de recursos, por si só, não garante competitividade no mercado internacional.
“Precisamos de medidas duradouras: desoneração da folha, simplificação tributária, redução do custo de energia e segurança jurídica. Sem isso, o crédito vira apenas um alívio momentâneo”, afirmou.
O presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi, também ponderou que a forma como os recursos serão operacionalizados pode deixar de fora quem mais precisa.
“O pequeno empresário, muitas vezes, não consegue cumprir as exigências bancárias para acessar essas linhas de crédito. É preciso garantir que o dinheiro chegue na ponta, onde o impacto será maior”, alertou.
Expectativa pela execução
Embora o plano seja visto como um passo importante para atenuar os efeitos do “tarifaço” americano, a principal preocupação é a velocidade e a clareza na execução. Empresários defendem que, sem agilidade e menos burocracia, o pacote corre o risco de ficar apenas no papel.
O setor produtivo goiano agora aguarda detalhes sobre a aplicação das medidas, enquanto enfrenta um cenário desafiador, com custos elevados e concorrência acirrada no mercado externo.
Redação



