Um esquema criminoso sem precedentes abalou a confiança no Poder Judiciário de Goiás. Em uma decisão histórica, a juíza Placidina Pires, da 1ª Vara de Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, condenou 15 pessoas — entre elas dois advogados — por participarem de uma organização que falsificava alvarás judiciais para desviar mais de R$ 31 milhões de contas vinculadas à Justiça estadual.
As penas variam de 3 a 121 anos de prisão, sendo que 12 condenados cumprirão em regime fechado. A magistrada determinou ainda que todos deverão indenizar o Judiciário em R$ 31.800.392,35.
Período do crime: De 30 de maio a 19 de outubro de 2022, o grupo conseguiu emitir 26 alvarás fraudulentos e ainda tentou aplicar outros 12 golpes. Usando acessos ao sistema Projudi, eles identificavam depósitos judiciais de alto valor, falsificavam assinaturas digitais de magistrados e, com apoio de advogados, liberavam o dinheiro como se fossem decisões legítimas.
A própria juíza não poupou palavras: “Jamais visto na história do Poder Judiciário Goiano”, destacando que a quadrilha não apenas saqueou valores milionários, mas também manchou o nome de servidores inocentes, usados como fachada para a fraude.
Advogados na mira
-
Mário Marques Pereira – condenado a 6 anos e 9 meses de prisão, regime fechado.
-
Jorge Fernando da Costa Sousa – condenado a 8 anos de prisão, regime fechado.
A sentença foi encaminhada à OAB-GO, que poderá abrir processo disciplinar e aplicar sanções profissionais.
Este caso faz parte da operação Alvará Criminoso, que já havia levado, em julho de 2024, à condenação de outros 13 réus, incluindo quatro advogados. Agora, com mais estas sentenças, a Justiça dá um recado claro: o crime não compensará, nem mesmo quando é praticado por quem deveria defender a lei.
Redação



