Enquanto hospitais lutam para manter leitos abertos e escolas enfrentam falta de estrutura, parlamentares de todo o Brasil estão destinando milhões de reais em emendas para bancar clubes de futebol — muitos deles profissionais.
Levantamento nacional aponta que, nos últimos três anos, deputados e senadores destinaram R$ 13,5 milhões para 31 times, dinheiro público que deveria atender demandas essenciais da população. As verbas, apresentadas como “projetos sociais”, acabaram financiando salários de técnicos, fisioterapeutas, jogadores e até reformas em sedes de clubes.
O caso mais emblemático envolve o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que destinou R$ 1 milhão ao CSA, seu time do coração, em 2024. Outro exemplo é o Ideal Futebol Clube, de Ipatinga (MG), que recebeu R$ 2,5 milhões desde 2023, valor maior que o repassado à própria prefeitura da cidade no mesmo período.
Até mesmo o futebol feminino entrou na polêmica. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) enviou R$ 1,5 milhão ao Operário Futebol Clube — R$ 1 milhão para o time feminino e R$ 500 mil para o masculino — enquanto bairros do estado sofrem com obras inacabadas e infraestrutura precária.
Especialistas em gestão pública alertam que, embora o esporte seja importante, o uso de emendas para custear clubes profissionais fere o princípio da prioridade no gasto público e abre espaço para questionamentos sobre favorecimento político.
O povo, mais uma vez, assiste ao espetáculo da bola… mas paga a conta com dinheiro que poderia salvar vidas e garantir educação de qualidade.
Redação



