A cidade de Anápolis amanheceu de luto nesta sexta-feira (19) após o brutal assassinato de Samylla Alves Guimarães de Jesus, uma mulher trans de 27 anos que atuava como garota de programa. Ela foi morta com vários tiros nas proximidades da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em um caso que já é tratado pela polícia como homicídio qualificado.
O crime aconteceu durante a madrugada, em uma região conhecida por ser ponto de encontro de profissionais do sexo. O corpo de Samylla foi encontrado a poucos metros da calçada, com marcas de disparos no tórax e no rosto.
Segundo a Polícia Civil, Samylla havia entrado em um carro com um homem momentos antes de ser morta. Câmeras de segurança da região registraram o veículo, e a investigação tenta identificar o motorista e outros possíveis envolvidos. A principal linha de investigação aponta para crime por vingança.
De acordo com amigos próximos, Samylla costumava expor clientes inadimplentes em redes sociais, postando nomes e conversas de homens que se recusavam a pagar pelos serviços. A polícia apura se alguma dessas postagens recentes teria motivado a execução.
O delegado responsável pelo caso afirmou que, embora Samylla fosse uma mulher trans, será investigado como feminicídio, nos moldes da jurisprudência já consolidada pela legislação brasileira que reconhece o direito à identidade de gênero.
“Não foi um crime passional, foi uma execução com características de ódio e frieza. A vítima foi alvejada com crueldade e deixada em via pública”, afirmou o delegado.
O caso expõe mais uma vez a vulnerabilidade da população trans no Brasil, especialmente aquelas que atuam no mercado do sexo por falta de oportunidades formais de trabalho. Segundo dados de ONGs de direitos humanos, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, e grande parte dos crimes não são investigados ou punidos.
Samylla era conhecida na região por ser educada, carismática e respeitada entre colegas. Amigos lamentaram a morte nas redes sociais com mensagens como:
“Ela só queria trabalhar e viver em paz. Isso não pode continuar acontecendo com a gente.”
Vozes que pedem justiça
A comunidade LGBTQIA+ de Anápolis e de Goiânia organiza uma vigília em homenagem a Samylla, e cobra das autoridades uma investigação rápida, imparcial e que não trate o caso com descaso, como infelizmente ainda ocorre em crimes contra pessoas trans.
Instituições de apoio também reforçam a necessidade de políticas públicas específicas para proteção, inclusão e dignidade de pessoas trans e travestis, especialmente em contextos de violência urbana e marginalização.
Goiás da Gente se solidariza com os familiares, amigos e comunidade LGBTQIA+ de Anápolis. Reafirmamos nosso compromisso com a dignidade humana, a justiça e o direito de todas as pessoas viverem com respeito, segurança e liberdade.
Se você tiver informações sobre o caso, ou deseja prestar homenagem a Samylla, entre em contato com nossa redação via WhatsApp: (62) 99635-8589. – sigilo garantido.



